
A Região Metropolitana de Coimbra (RMCoimbra) apresentou o projeto “Nós 19, o Som de Todos”, que irá juntar diferentes gerações, nacionalidades, culturas ou percursos de vida. Mais do que um espetáculo, que envolve cerca de 200 participantes de 19 municípios a 24 de outubro, o projeto procura reforçar a coesão territorial, promover a inclusão e «fazer comunidade», com diálogo intercultural, através, no caso, da música.
Na apresentação do projeto, a presidente da RMCoimbra, Helena Teodósio, lembrou que «vivemos um tempo em que os fenómenos migratórios, as transformações demográficas e as desigualdades sociais exigem cada vez mais novas respostas». E é neste contexto, acrescentou a presidente, que foi desenvolvido o projeto, «assumindo a cultura como um instrumento de coesão social, de diálogo intercultural e construção de comunidades cada vez mais inclusivas».
Inspirado na experiência da Orquestra Comunitária da Região de Coimbra, «bem sucedida», sublinhou, o “Nós 19, o Som de Todos” pretende criar «uma grande comunidade artística e humana», com pessoas de diferentes idades, origens, nacionalidades, culturas e percursos de vida. «Migrantes, cidadãos de países terceiros, pessoas em situação de vulnerabilidade social, jovens, adultos, seniores, serão convidados a participar num projeto criativo comum», em que «a música funciona como uma linguagem universal e um espaço de encontro», disse Helena Teodósio.
Com direção artística do maestro Tim Steiner, o projeto surgiu de uma da candidatura da RMCoimbra ao Portugal 2030, enquadrada na Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, procurando «a inclusão através da cultura, com foco nas comunidades de migrantes, pessoas com deficiência e também em alguns grupos desfavorecidos, utilizando a música como ferramenta de integração e diálogo intercultural», reforçou o secretário executivo, Jorge Brito, ao indicar que o objetivo é envolver entre 150 a 200 pessoas.
Segundo Jorge Brito, a iniciativa, que exige uma logística muito grande, está a ser desenvolvida ao longo de cerca de 12 meses, decorrendo atualmente a fase de ensaios, após inúmeros contactos, apresentações e abertura de uma convocatória aos municípios e às suas comunidades musicais, bem como a seleção dos participantes. Há municípios com «uma procura muito mais elevada do que é a disponibilidade de “numerus clausus”», afirmou, ao perspetivar um «espetáculo único e irrepetível», a 24 de outubro, no Convento de São Francisco, em Coimbra, que irá distinguir a Região no que respeita «à abordagem criativa» aos atuais desafios económicos, turísticos, culturais e sociais.
O responsável observou ainda que, além de reforçar o sentimento de pertença e de valorizar a diversidade cultural, o “Nós 19, o Som de Todos” promove a relação entre diferentes atores culturais dos municípios, reforça as dinâmicas musicais específicas e as potencialidades artísticas e sociais dos grupos envolvidos.
O “Nós 19: o Som de Todos” engloba os municípios de Arganil, Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Góis, Lousã, Mealhada, Mira, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Mortágua, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Soure, Tábua e Vila Nova de Poiares.
O compositor Tim Steiner tem-se destacado na criação e direção de eventos musicais de grande escala, nomeadamente em performances colaborativas. Dirigiu centenas de projetos criativos pela Europa e trabalhou em praticamente todos os contextos musicais e sociais, com profissionais, amadores ou mesmo iniciantes.
Presente na conferência de imprensa, considerou que o projeto «é um esforço pró-ativo para alcançar as comunidades que, de alguma forma, têm dificuldade em se sentir parte de Coimbra e de Portugal». É também «uma grande oportunidade para destacar o poder da música» e o poder do som de cada um, sustentou.